Ontem terminei de ler "A chuva antes de cair" de Jonathan Coe e, como previamente suspeitava, trata-se de um livro fascinante.
O meu ritmo de leitura tem andado um pouco limitado: uma hora aqui outra hora ali. Durante todo o tempo de duração da leitura deste livro sentia dentro de mim uma ânsia de retomar do ponto onde tinha ficado. Vivo esta ansiedade por ler e por descobrir o que virá a seguir de cada virar de página.
O título, desde que ele me foi recomendado, intrigou-me. O que seria isto de "a chuva antes de cair"? Confesso que, só de ouvir esta expressão, fez-me recordar sensações da minha infância, de quando antes de chover sentíamos aquele aroma intenso a terra, uma mornidão que a terra exala. Dos meus dias nos vestígios de casa, de quando o céu tinha aquele azul verdadeiro e único, havia toda uma antecipação antes da chuva acontecer.
Só o título despertou-me todas estas recordações... Só por isto teria valido a pena lê-lo.
Mas a verdade é que o título não tem a ver com isto; embora, todo o livro tem a ver com recordações e com vestígios de casa. Com resquícios da trajectória de uma família ao longo de gerações: amor e desamor, remorsos e arrendimentos, encontros e desencontros.
Em mim, este livro teve grande impacto. Ele vai além do que aparenta.
PRÓXIMA LEITURA: " Vasto Mar de Sargaços" de Jean Rhys
"Num momento em que estava afastada de tudo o que conhecia - família, casa, amigos -, escrever era o único elo de continuidade. Era o que sempre fizera. Eram raros os momentos do dia que o seu espírito podia vaguear livrevremente."
Foi o primeiro livro que li deste escritor e, assim foi, porque eu quis. Há outros títulos dele também recomendados mas existia em mim uma grande curiosidade começar por este em específico e valeu cada hora de sono sacrificado.Este livro, permitam-me dizer, partiu-me em mil pedacinhos. No meu quotidiano é difícil concretizar a leitura de um livro de uma forma sistemática mas quando entrei no mundo de Briony, Cecilia e Robbie não pude voltar atrás. Lancei-me de corpo inteiro nas páginas deste livro e foi uma viagem fabulosa. Foram dois dias de intensa leitura.
Sabe quando você está a ler um livro e pressente cada passo que o escritor irá te conduzir? Pois aqui isto não é tão linear. Ele aponta várias direcções e tu persegues cada linha meio à espreita do que há-de vir a seguir. E experimenta-se uma sofreguidão por conhecer o desfecho.
Emocionei-me, zanguei-me, sorri, amei, sofri e, no fim, bem… no fim, fiquei quase que em crise de ansiedade com o desenlace que o escritor desenhou.
Retenho esta ideia de que a vida é um turbilhão de acontecimentos e, nem todos, podemos controlar. Um passo em falso e tudo pode se transformar de forma irrevogável.
Este é um livro a ser lido, sem dúvida.
Sempre ouvi falar muito bem deste livro e, confesso, alimentei algumas expectativas positivas sobre ele. Os capítulos iniciais ainda envolveram-me e gostei da forma como a história é introduzida. Devo dizer, porém, que fiquei absolutamente desapontada conforme avançava na leitura. A começar, não gostei do tipo de escrita. As descrições do autor não me sugeriam de todo as sensações que a experiência aromótica deveria criar. Não consegui ligar-me ao personagem. Não lhe encontrei coerência. Por outro lado, acho que a trama perde, muitas vezes, o ritmo e o objectivo.
O percurso de um assassino, uma crítica à superficialidade da sociedade, a exaltação dos sentidos; não sei bem.
Sinto-me um tanto frustrada por não ter gostado nem ter usufruído prazer na sua leitura. É uma obra recomendada como quase obrigatória de ser lida. A verdade é que, se me perguntarem, eu não o recomendaria.
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